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5ª
série, e agora?
Eliana Maria Campos e Fernanda Maria Garrafa Rocha Campos - Educadoras
"Se as pessoas percebessem que a única
realidade é a mudança, elas seriam mais felizes"
Nessa fase de grandes mudanças algumas reflexões
são necessárias pois não é uma etapa
fácil para os alunos, para os pais e nem para os educadores.
Para os alunos, a mudança é marcante porque a dinâmica
é muito diferente:
acostumados a uma professora que os conhece muito bem, sentem-se
inseguros ao se deparar com um grande número de professores.
A formação de um vínculo afetivo é complicada,
no começo, fazendo com que assumam uma postura bastante defensiva.
Além disso, suas expectativas são desanimadoras: "vai
ser tudo muito difícil..."
Para os pais, que estão com os filhos mais crescidos, não
é fácil encontrar a medida adequada, pois acham
que podem deixar tudo por sua conta.
Mas eles precisam de um suporte para encarar as mudanças:
ajudar na organização do dia-a-dia é de fundamental
importância para que façam uma 5ª série
tranqüila e possam ir se adaptando, até que se tornem
independentes e sozinhos.
Os professores têm um conteúdo a cumprir e situações
diárias a resolver: pequenos e inesperados incidentes que
pedem uma solução imediata, lidar com a agitação
de alguns alunos que realmente atrapalham a aula e com outros
que aparentemente não estão muito entusiasmados
com o conhecimento. Isto requer deles um ânimo novo a todo
instante, o que nem sempre é possível.O que se passa
com os alunos que agem de forma muitas vezes lamentável
no grupo?
Nas conversas individuais eles são ótimos, criteriosos,
sabem exatamente o que é ter uma boa postura na sala de
aula...
Se há anos este problema existe, continuar insistindo na
falta de preparação dos alunos para a mudança,
na sua postura inadequada e falta de interesse é uma posição
de quem não se vê no processo.
Não dá mais para assistir a tudo isso com isenção!
O intuito não é achar culpados e sim buscar soluções
novas, começando por repensar a atuação do
professor. Reformular estratégias e voltar a atenção
aos interesses dos alunos é a saída inclusive para
uma vida profissional mais estimulante.Várias tentativas
já são feitas em muitas escolas - o famoso "Projeto
Passagem", por exemplo, que resgata a história escolar
do aluno até então, mostra que a mudança
é uma etapa natural que faz parte da vida.
Há uma mobilização dos alunos, mas cuidado
deve ser grande para não despertar ansiedades. Isso não
pode ser resumido a alguns trabalhos e , sim, deve ser continuidade
para não cair no vazio. Fazer da 4ª série uma
mini 5ª não é o caminho. Mais do que passagem,
seria acolhida. Acolhida a estes alunos que nada mais querem do
que ser bem recebidos.
Situados em suas facilidades e dificuldades e estimulados para
ir em frente, certamente ficarão mais motivados. O professor
deve ter um olhar muito atento para que as potencialidades não
fiquem adormecidas.
Quando os alunos estão muito agitados e desinteressados
é o momento de reverter a situação com aulas
mais interessantes que instiguem a curiosidade lançando
desafios.Ao enfrentar desafios o aluno torna-se um ser humano
mais fortalecido.
Mas para isso é preciso ter, ao seu lado, um adulto que
lhe dê segurança e que ao mesmo tempo, seja exigente,
faça-o refletir. Ele não necessita só de
carinho mas também de pulso firme, tem que aprender a lidar
com as adversidades, ter resistência à frustração
e isto só acontece se sentir que há alguém
caminhando junto, corrigindo os seus erros e aplaudindo os seus
acertos.Organização, segurança, disciplina
e limites claros e firmes são importantíssimos.
Escola e família precisam caminhar juntas, cada uma fazendo
a sua parte, desempenhando seu papel. As conversas e trocas de
opiniões são necessárias para que as mudanças
e o crescimento sejam encarados de frente. É assim que
se garante a disposição para o grande, árduo,
mas bonito desafio que é o de mostrar caminhos, estimular
e acreditar sempre em pessoas que estão em plena formação.
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