Vocação à Vida Religiosa Franciscana

Quando falamos em Vocação Franciscana queremos nos referir a tudo o que está relacionado a São Francisco de Assis e à sua espiritualidade.
As palavras que ele usa em seu Testamento deixam muito claro a certeza que ele tinha da ação de Deus em sua vida: "O Senhor me concedeu...", "O Senhor me conduziu..." ,"O Senhor me deu...", "O Senhor me revelou...". Estas palavras, dentre muitas outras presentes em seus escritos, demonstram "a base da experiência vocacional de Francisco e de Clara de Assis e, como tais, apontam a direção, indicam o jeito franciscano de trabalhar o processo vocacional" (Cf. Fundamentos para uma Pastoral Vocacional Franciscana, SAV-FFB, p. 19).
Portanto, cultivar a vocação franciscana exige basicamente esta profunda atitude de pobreza: é Deus que realiza tudo em mim, sou seu instrumento, todo bem vem d'Ele e para Ele há de retornar, pois Ele é a fonte de todo o bem e só Ele faz maravilhas (cf. Lc 1,49).

Elementos Básicos da Vocação Franciscana:

a) Seguir Jesus Cristo
Francisco e Clara de Assis tiveram como atitude fundamental em suas vidas seguir Jesus Cristo pobre, humilde e crucificado e viver a pobreza e a humildade de sua Santa Mãe Maria, como discípulos fiéis ao Evangelho.
Este seguimento de Jesus Cristo estava afirmado num tripé: o Cristo do presépio (daí a sua predileção pelo Natal do Senhor), o Cristo da Ceia (que se expressava numa ardente devoção pela Eucaristia) e o Cristo da Cruz. Eis aí o fundamento da mística e da espiritualidade da Vocação Franciscana.

b) Como irmãos (ãs) menores
O seguimento de Jesus Cristo implica necessariamente em aprender a grande lição que Deus nos dá vindo ao mundo: Ele se faz nosso irmão! Ele se faz menor! Assim, os irmãos e as irmãs menores são chamados a se amarem e se nutrirem mutuamente a modo de mãe e filho: "Se a mãe ama e nutre seu filho segundo a carne, quanto mais cada um deve amar e nutrir seu irmão segundo o espírito" (RnB 9,14)! E, como irmãos e irmãs, fazem-se servidores de todos, especialmente daqueles com os quais Jesus se identificou e serviu (Cf. Mt 25,34-40; Lc 6,20-23).
Ser fraterno, ser menor - eis aí a expressão da vida franciscana. São Francisco quis que seus Irmãos fossem menores.

c) Numa fraternidade universal
Somos parte da grande obra da Criação que Deus realizou e continua realizando no mundo. Somos irmãos e irmãs de todas as criaturas e de todas as coisas criadas por Ele.
O Cântico do Irmão Sol expressa de forma singular esta consciência cósmica de São Francisco, este modo de se sentir parte de um grande todo e de viver entre todos a Fraternidade universal, onde devem reinar relações de amor, justiça, paz e serviço, como filhos aprendendo a lição do Pai-Criador e convidando a tudo e a todos a louvá-Lo!

d) Itinerantes e missionários, como profetas da alegria
O testemunho alegre de vida é a expressão clara de quem se deixou levar pela dinâmica de Francisco e Clara de Assis. Pobres, desapegados, livres, sem amarra nenhuma, somos enviados pelo mundo a testemunhar a alegria de ser amados (as) por Deus, a anunciar o Caminho que Ele nos propõe para sermos felizes de verdade e a denunciar profeticamente tudo que fere a imagem de Jesus Cristo nos seus filhos e filhas, especialmente os mais pobres e desvalidos deste mundo, preferidos de Deus.


(Texto de Frei Aluísio Alves Pereira Júnior, OFM)